Flautista Celso Woltzenlogel dá dicas para estudantes da Escola de Música Villa-Lobos

Músico foi professor da  Escola de Música Villa-Lobos por três décadas.

Foi uma aula cheia de dicas básicas para estudantes de flautas, mas quem saiu ganhando também foi o professor. Celso Woltzenlogel, um dos maiores nomes da flauta brasileira, está visitando escolas de músicas no Brasil para pedir opiniões para seu novo livro, “Método Flauta Fácil, Volume 2”, e aproveitou para matar saudades da escola onde lecionou por quase três décadas.

Reconhecido por suas publicações sobre métodos de ensino para flautas, sendo as quatro edições da intitulada “Método ilustrado de Flauta” livros de referência mundial sobre o estudo do instrumento, e que contam ainda o prefácio de Jean-Pierre Rampal (flautista célebre francês conhecido como “O homem da flauta de ouro”), Celso Wontzenlogel conversou com alunos sobre respiração e postura, elementos primordiais para uma boa execução musical. “É fundamental o aluno desenvolver a percepção de sua sonoridade”, recomenda o mestre.

Nascido em Piracicaba (SP) e radicado no Rio de Janeiro desde que venceu, ainda jovem, o concurso “Jovens Talentos Musicais”, sob orientação de Moacyr Liserna, Celso Woltzenlogel alcançou o auge de sua carreira como primeiro flautista da Orquestra Sinfônica Nacional, de 1968 a 1991, sendo considerado uma das maiores referências do instrumento no país. Como Doutor em Educação Musical, ingressou como membro da Academia Brasileira de Música pela Faculdade de Educação da UFRJ, onde se tornou professor titular da Escola de Música de 1971 a 1996.

Após aperfeiçoar-se na França com notáveis nomes da flauta, como Alain Marion, Jean-Pierre Rampal e Nadia Boulanger, e no New England Conservatory of Music, em Boston (EUA), Celso Woltzenlogel voltou ao Brasil para contribuir de forma fundamental para nossa música erudita, atuando em várias salas de concerto como solista, além de fundar e integrar os seguintes grupos: “Quinteto de Sopros Villa-Lobos”, “Ars Barroca”, “Sexteto do Rio”, “Duo Instrumentalis”, “Jazz Clássico do Rio de Janeiro”, Orquestra de Câmara da Rádio MEC e “Flautistas do Rio”.

Paralelo à música erudita, Celso Woltzenlogel participou de gravações de trilhas sonoras de cinema e televisão, além de discos dos maiores nomes da Música Popular Brasileira, como Tom Jobim, Chico Buarque, Milton Nascimento, Roberto Carlos, Djavan, Gal Costa, Maria Bethânia, Clara Nunes, dentre tantos outros. Fundou em 1994 a Associação Brasileira de Flautistas, do qual é o presidente. Possui mais de 15 publicações de métodos de ensino e estudo para flautas, além de diversos CDs solo e com o conjunto Sexteto do Rio, Flautistas do Rio, Ars Barroca, dentre outros.

Mais informações sobre a vida e obra de Celso Woltzenlogel em seu site oficial: www.celsowoltzenlogel.net/.

Qual a importância, para você, desta visita na Escola de Música Villa-Lobos?

Primeiro foi uma recordação porque eu dei aulas aqui por quase de 30 anos. Dei muitas aulas aqui. E justamente com este lançamento deste livro, “Flauta Fácil nível médio” [volume 2], foi para eu poder obter as críticas e observações, o que pode ser acrescentado e modificado no livro. Então isto para mim foi muito importante.

Seu método mistura o popular, no caso o gênero Choro, com o erudito. Para quem quer começar, qual o melhor caminho?

Veja bem, em 1982, eu lancei o “Método Ilustrado de Flauta”, que é um método completo, desde o princípio até se tornar um profissional. Depois, com a moda do CD, a própria [Editora Irmãos] Vitale me convidou para fazer um método para principiantes com um CD, então eu fiz esse método, e com o sucesso desse livro, começaram a me pedir um “Flauta Fácil Dois”, que é um “Flauta Fácil” de nível médio, e eu aproveitei para abordar duas coisas: explorar o ritmo, principalmente o ritmo sincopado, que é a riqueza da nossa música brasileira, e também desenvolver a sonoridade, com temas tipo, a “Canção da Índia”, Villa-Lobos, a modinha do Jayme Ovalle, “Lamentos”, “Sururu na cidade”, “Vou vivendo”, enfim, desenvolver o lado ritmo e a sonoridade.

Como você vê hoje a música de concerto no Brasil?

Infelizmente, a música de concerto ainda está um pouco restrita para uma classe mais elitista. Antigamente se ouvia muitos concertos públicos, concertos nas praças. Hoje em dia é muito difícil você ver isso. Por exemplo: a Cidade das Artes. É bem deslocada, provavelmente daqui a um tempo vai beneficiar todo o pessoal de lá. Mas quem está mais nessa zona aqui não vai a esses lugares. Me lembro de concertos na Quinta da Boa Vista, concertos para juventude, hoje em dia está mais escasseado.

Recentemente, o Ministério da Educação lançou uma campanha, que na verdade é uma enquete, com a seguinte pergunta: “você é a favor do ensino de música nas escolas?”. O que você responderia?

Mas é lógico, fundamental. Na minha época se estudava, eu estudava, tinha aula mesmo elementar, canto orfeônico, todo mundo era obrigado a cantar. e o Villa-Lobos insistiu muito nisso. É uma pena as escolas não terem nada disso. Hoje é só computador. Inclusive, uma coisa muito interessante, uma ocasião em que estive na Espanha, lá tem muitas bandas de música, e numa exposição um rapaz me disse, “aqui em Valencia, o presente de papai noel não é uma bicicleta, é um instrumento musical.

Quais as vantagens diretas para quem começa a estudar música desde cedo?

A primeira coisa é a disciplina que vai obrigá-lo a estar em casa. Quer dizer é uma manteira de evitar o jovem na rua. Que hoje em dia é muito complicado. Quem está fazendo música, quando ele sair do colégio, ele vai para casa estudar seu instrumento. Além de despertar talentos para serem profissionais, você realmente tira a criança da rua.

Que dica você daria para os jovens que estão começando agora no ensino musical?

Eu acho que você tem que saber qual o objetivo. Ele quer fazer música por diletantismo, é uma coisa, ou se ele tem intenção de se tornar profissional de música, seria outra coisa. Neste caso é frequentar a escola, e a Escola Villa-Lobos tem excelentes professores.

Entrevista a Pedro Soares