Centenário de Humberto Teixeira

humbertoCearense de Iguatu, Humberto Teixeira, um dos principais nomes do baião, completaria 100 anos no dia 05 de janeiro.

Pouco conhecido na mídia comercial, estudado por muitos e comparado ao pernambucano Luiz Gonzaga, que foi um de seus principais parceiros, Teixeira começou a estudar música cedo, aprendendo flauta e mais tarde bandolim. No início dos anos 30 radicou-se no Rio de Janeiro, com o objetivo de estudar medicina, continuando suas composições e sendo um dos vencedores de um concurso de marchas de carnaval. Desistiu da medicina e optou pelo direito, profissão em que se formou, mas foi na música, e mais tarde na política, que encontrou seu caminho.

Foi com Luís Gonzaga que ele criou o ritmo do baião.
Com a intenção de valorizar os ritmos nordestinos, eles substituíram os instrumentos originais viola, pandeiro, botijão e rabeca, por acordeom, triângulo e zabumba e criaram um ritmo feito pra dançar e que faria uma revolução no cenário musical brasileiro da época.
Humberto Teixeira ganhou o apelido de “Doutor do Baião” e compôs com seu parceiro o maior sucesso da dupla “Asa Branca”, considerada por muitos hino do povo do Nordeste e que seria o gatilho para o enorme reconhecimento que os ritmos nordestinos ganharam nacional e internacionalmente. Enriqueceu o acervo da MPB com centenas de canções, muitas delas eternizadas nas vozes de Luiz Gonzaga, Dolores Duran, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa, Raul Seixas, dentre outros.

Em 1950 foi eleito deputado federal em seu estado natal.
Entre seus projetos políticos destaca-se aquele que incentivava turnês de divulgação da música brasileira no exterior, além da sua luta pelos direitos autorais.

Morreu em 1979 no Rio de Janeiro e em 2009, ganhou um documentário sobre sua vida chamado “O homem que engarrafava nuvens”, de Lírio Ferreira.
A obra conta com depoimentos de Alceu Valença, Belchior, Caetano Veloso, Bebel Gilberto, Chico Buarque, Gilberto Gil, Lenine e Zeca Pagodinho.